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A psoríase não é contagiosa, mas muita gente ainda acredita que sim. Quando veem alguém tentando esconder as lesões ou se livrar da descamação típica da doença, muitos se afastam com medo de "pegar" algo. Esse preconceito silencioso tem um impacto profundo na autoestima dos pacientes, que muitas vezes se isolam socialmente. Quanto mais grave o quadro, maior o reflexo na qualidade de vida — e maior a busca por alternativas que vão além dos cremes e pomadas.
Quadros leves vs. quadros graves: onde entra o tratamento sistêmico
Atualmente, cerca de 80% das pessoas com psoríase apresentam formas leves da doença, com lesões localizadas e descamação pequena, geralmente em cotovelos, joelhos, costas e couro cabeludo. Nesses casos, o controle costuma ser feito com pomadas, hidratantes e cuidados para evitar o ressecamento da pele.
Os outros 20% enfrentam a forma grave, que atinge mais de 10% da superfície corporal ou áreas específicas como unhas, palmas das mãos, plantas dos pés, região genital e rosto. É quando a pomada já não dá conta, e a qualidade de vida é diretamente afetada — muitas vezes associada a quadros de ansiedade e depressão.
Quando cremes não são suficientes: as opções sistêmicas
Para esses casos, entra em cena o chamado tratamento sistêmico, indicado também para quem faz uso de medicamentos tópicos há algum tempo sem obter resultados satisfatórios. Entre as alternativas clássicas estão a fototerapia — que expõe a pele a doses controladas de luz ultravioleta para reduzir a inflamação — e os medicamentos orais, que agem internamente, mas podem trazer efeitos colaterais importantes, como alterações no fígado, nos rins e no sistema imunológico.
Há cerca de duas décadas, surgiram os chamados medicamentos biológicos, aplicados por injeção. Eles atuam de forma mais localizada no bloqueio da inflamação, sem afetar tanto o restante do organismo. A frequência das aplicações varia conforme o caso — pode ser semanal, bimestral, trimestral etc.
Chega ao Brasil nova opção em comprimido
Recentemente, o país ganhou uma alternativa adicional: o apremilaste, um tratamento com pequenas moléculas que age de maneira semelhante aos biológicos, mas em comprimido. Segundo Ricardo Romiti, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e responsável pelo Ambulatório de Psoríase do Hospital das Clínicas da FMUSP, a principal diferença está na praticidade: "O biológico precisa ser armazenado na geladeira e a pessoa precisa aprender a aplicar a injeção corretamente. O comprimido é mais tranquilo — são dois por dia, sem grandes preocupações com armazenamento ou técnica de aplicação."
A nova opção pode ser uma alternativa para quem tem receio de injeções, para quem viaja com frequência e enfrenta dificuldades para manter o esquema de aplicações, ou simplesmente para quem busca mais comodidade no dia a dia. O medicamento já foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o tratamento da psoríase em placas moderada a grave em adultos e crianças a partir dos 6 anos, mas ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) — a incorporação depende de análises e processos específicos.
O cuidado vai além do medicamento
Independentemente da via de tratamento, os especialistas reforçam que cuidar da psoríase vai muito além de escolher entre pomada, comprimido ou injeção. O acompanhamento médico regular, o suporte psicológico e a conscientização da sociedade sobre a natureza não contagiosa da doença são tão importantes quanto qualquer medicação.
"O preconceito ainda é um dos maiores desafios para os pacientes. Muitos se sentem envergonhados, se isolam e deixam de viver plenamente. O tratamento avançou muito, mas a informação e a empatia ainda precisam avançar junto", conclui Romiti.
Se você ou alguém próximo convive com psoríase, saiba que há mais opções hoje do que nunca — e que o primeiro passo para um cuidado eficaz é procurar orientação especializada e não se render ao isolamento.
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